EDUARDO FELDBERG

          Um cara cristão...

História de Israel

Por Eduardo Feldberg - Agosto/2003

 

Segue abaixo um resumo da história do povo israelita, com base nos textos e informações da Bíblia.

O artigo também serve como um breve resumo histórico do Antigo Testamento.

 

 

 

Por volta de dois mil anos antes de Cristo, Deus chamou a Abrão e disse que faria dele uma grande nação. Quem o abençoasse seria abençoado e quem o amaldiçoasse seria amaldiçoado (Gênesis 12:1-3). Abraão foi chamado de “hebreu”, em Gênesis 14.13, provavelmente por ser descendente de Héber (Gênesis 11.16), e essa nomenclatura étnica passou a ser aplicada para todos os seus descendentes. O tempo passou, Abraão gerou a Isaque, que por sua vez gerou a Jacó. Em Gênesis 32.28, o Senhor muda o nome de Jacó para Israel, portanto, a partir daqui, seus descendentes passam a ser chamados de “israelitas”. Como podemos ver, o povo que estamos estudando pode ser chamado de “hebreu”, numa associação à descendência de Abraão, ou de “israelita”, numa associação à descendência de Jacó. Jacó gerou doze filhos, dentre eles José, que por ciúmes de seus irmãos, foi entregue a mercadores midianitas que o venderam a Potifar, oficial de Faraó - Egito. Depois de altos e baixos, Deus fez com que José prosperasse naquele país, até ser nomeado governador do Egito, por volta de 1870 a.C. (Gênesis 41.40)

 

Sobreveio uma grande fome no Oriente, mas com a revelação de Deus através de José, houve prosperidade no Egito (Gênesis 47.13, 23). Como a fome atingiu toda aquela região, menos o Egito, José trouxe toda a sua família e parentes para sua terra, num total de 75 pessoas (Atos 7.14), que com o passar do tempo cresceram e se multiplicaram lá. Faraó morreu e outro homem, indiferente à história de José, assumiu o império. Ele percebeu que os israelitas tornavam-se cada vez mais numerosos e representativos em meio à sociedade, e resolveu judiar deles, obrigando-os a fazer trabalhos pesados (Êxodo 1.13). Aqui temos o início do cativeiro de Israel.

 

Depois de 430 anos (Êxodo 12.40), por volta de 1440 a.C., Deus liberta seu povo através de Moisés (Êxodo 12.31) e os faz peregrinar pelo deserto, rumo à terra prometida, Canaã. Aqueles setenta e cinco israelitas que foram para o Egito, alguns séculos depois, formavam uma multidão de 600 mil homens, sem contar as mulheres e crianças! (Êxodo 12.37). Após 40 anos peregrinando pelo deserto (Deuteronômio 29.5), Moisés chega à terra prometida com todo o povo, nomeia Josué como seu sucessor e morre sem entrar nas terras, conforme estabelecido pelo Senhor. O tempo vai passando, os israelitas vão vencendo guerras e ampliando seus territórios (Josué 6; 8; 10.16; 10.25; 11; 12.7). Seus domínios se estenderam tanto, que Josué dividiu todas as terras conquistadas por eles em 12 tribos (Josué 13-21). Cada uma seria habitada pelos descendentes de cada um dos doze filhos de Jacó. A porção de José ficou com os descendentes de seus filhos, Manassés e Efraim. (Josué 16.4)

 

Deus ordenara aos hebreus que destruíssem todos os habitantes de Canaã, para que o povo não se contaminasse com suas abominações (Deuteronômio 20.16-18), porém o povo não os exterminou por completo e como consequência, contaminaram-se com a idolatria deles. Com isso, Deus se irou e os entregou nas mãos de seus inimigos. A partir daí, surge uma sucessão de derrotas israelitas, que geravam desespero e temor no povo, e avivamentos, através do livramento de seus opressores por algum homem ou mulher valente levantado por Deus. Porém, o povo sempre acabava caindo no pecado novamente (Juízes 2.16-17; Juízes 3:9, 10, 12,14; Juízes 3.15, 28; 4.1; Juízes 4.2, 14, 15; 6.1). Neste período, passaram por Israel diversos juízes, homens escolhidos por Deus para liderarem o povo (Juízes 2.18), tais como Sansão (Juízes 15.20), Débora (Juízes 4.1; 5.31), Gideão (Juízes 6.1; 8.35), entre outros. O tempo passava e os hebreus continuavam longe de Deus, até que surge o último dos juízes, Samuel, o profeta, por volta de 1100 a.C.

 

Samuel foi um homem incrível, temente a Deus, e conduziu o povo por toda a sua vida (1 Samuel 7.15). Quando envelheceu, os hebreus pediram a ele que elegesse um rei para governá-los, como acontecia com os outros povos, e não mais uma teocracia onde Deus era o líder. (1 Samuel 8.1, 5, 19, 20). Deus concede ao povo o rei Saul, mas apesar de suas qualidades, Saul desagrada a Deus e Samuel o repreende, dizendo que Deus tiraria seu reinado e colocaria um homem segundo o coração do Senhor em seu lugar. Surge Davi, que a princípio reina apenas sobre sua tribo (Tribo de Judá - 2 Samuel 2.4), mas após muitas guerras e vitórias, é constituído Rei de Israel, ou seja, de todas as tribos, lá pelo ano 1000 a.C. (2 Samuel 3.1; 5.3). Davi conquistou a cidade de Jerusalém e fez dela capital de Israel. Davi reinou por 40 anos, envelheceu e ungiu seu filho Salomão como rei de Israel (1 Reis 1.34, 47, 48). Salomão foi o homem mais sábio e rico de todos os homens (1 Reis 4.29, 30; 1 Reis 10.23). Edificou o Templo que Davi quis construir quando estava vivo. Uma casa fixa que substituiria o móvel Tabernáculo. Este templo é considerado ainda hoje uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Salomão se desviou de Deus e se uniu a mil mulheres que o afastaram de Deus e o fizeram seguir outros deuses (1 Reis 11.3, 4). Quando Salomão se afastou do Senhor, Deus disse que dividiria seu reino em duas tribos. Deixaria metade do reino para o filho de Salomão, Roboão, a fim de conservar a linhagem messiânica, e a outra metade seria dada para seu servo Jeroboão (1 Reis 11.11, 12, 13, 31, 32). Este fato ocorreu da seguinte forma:

 

Os hebreus estavam cansados, devido aos trabalhos pesados que o rei Roboão lhes impunha, e vieram lhe pedir um pouco de alívio (1 Reis 12.4, 15). Roboão os ignorou, e aumentou ainda mais o trabalho. Com isso, os hebreus disseram: - O que nós temos a ver com esse rei? Ele que se vire. Vamos nos separar dele e fazer nosso próprio reino (1 Reis 12.16). Esses hebreus seguiram a Jeroboão, que ficou com as dez tribos do Norte. Roboão, por sua vez, ficou com os hebreus da tribo de Judá e Benjamin, que seguiram a descendência de Davi (1 Reis 12.17, 20, 21). O reino foi dividido em dois grupos:

 

Reino do Norte: Também chamado de Israel, compunha-se pelas dez tribos do norte, e foi governado por Jeroboão. (1 Reis 11.31)

 

Reino do Sul: Também chamado Judá, compunha-se pela tribo de Judá, partes da tribo de Benjamim e Simeão, e foi governado por Roboão, filho de Salomão. (1 Reis 12.17)

 

 

Surge Elias, no Reino do Norte, profeta muito usado por Deus, que é sucedido por Eliseu, outro grande servo e profeta de Deus. Vários reis passam pelas tribos até que, devido aos seus pecados e idolatrias constantes, Deus permite que, aos poucos, eles sejam derrotados e levados cativos pelos seus inimigos. Primeiro o Império Assírio foi vencendo batalhas contra o Reino do Norte, até dominá-los por completo e levá-los cativos, em 722 a.C. (2 Reis 15.29; 17.6). Até hoje se ouve falar sobre as “dez tribos perdidas”, e foi nessa situação que eles se perderam.

 

O Reino do Sul, por sua vez, foi levado cativo pelos Babilônios, sob o comando do rei Nabucodonosor, em 586 a.C. (2 Reis 20.17; 24.10; 25.21). Hoje, os hebreus são chamados judeus porque de todas as tribos de Israel, a única que sobrou foi a tribo de Judá. Durante o cativeiro dos judeus na Babilônia, surgem Daniel e seus 3 amigos (Daniel 1.6). Daniel cresce e se torna um grande profeta de Deus. Nabucodonosor, líder do Império Babilônico, morre e é substituído por Belsazar, que desagrada a Deus e vê seu império dominado pelos exércitos Medo-Persas, em 539 a.C. (Daniel 5.31).

 

O Senhor havia dito através de uma profecia de Ezequiel que após os setenta anos de cativeiro na Babilônia, os judeus seriam novamente livres, tendo seu próprio "lugar" (Jeremias 29.10), e cumpriu Sua palavra. Quando o rei Ciro, líder do Império Medo-persa, dominou os babilônios e judeus, Deus tocou em seu coração para que liberasse os judeus, e os deixassem retornar a sua pátria para reconstruir Jerusalém e o Templo (Esdras 2.1, 2). Isaías havia profetizado isso cerca de 160 anos antes desses fatos (Isaías 45.1, 4, 5, 13). Ciro liberou primeiramente umas cinquenta mil pessoas, sob a liderança de Zorobabel (Esdras 2.1, 2, 64, 65), e essa foi considerada a primeira das três levas de judeus para Jerusalém, ocorrida em 538 a.C. Esse povo voltou e construiu os alicerces de Templo (Esdras 3.10), mas os inimigos dos judeus os atrapalharam (Esdras 4.4) e conseguiram interromperam as construções do Templo (Esdras 4.24). Dezesseis anos mais tarde, Deus levanta os profetas Ageu e Zacarias para encorajar o povo a prosseguir com a construção. Com esse apoio, os judeus voltaram à ativa (Esdras 5.1, 2). Enfim, vinte anos após a saída dos judeus, o Templo foi edificado (Esdras 6.15).

 

Sessenta anos depois (458 a.C.), ocorreu a segunda das três levas de judeus para Jerusalém, liderada por Esdras. Naquele tempo, o rei da Pérsia era Artaxerxes, que permitiu que Esdras levasse para Jerusalém todos os judeus que quisessem ir (Esdras 7.1, 13). Na primeira leva, a função do líder (Zorobabel) foi levar o povo para reconstruir Jerusalém e o Templo. Já na segunda leva, a função do líder (Esdras) era despertar os judeus espiritualmente. Torná-los a Deus e motivá-los a obedecer a Lei de Deus (Esdras 7.10; 10.1). Nesta ocasião, muitos judeus voltaram para Jerusalém, mas não todos.

 

Treze anos após Esdras chegar a Jerusalém, encontramos na Bíblia um homem chamado Neemias, copeiro do rei Artaxerxes (Neemias 2.1) e servo temente a Deus. Ele soube que os judeus estavam vivendo na miséria, que os muros de Jerusalém estavam totalmente destruídos e ficou muito angustiado por cerca de quatro meses (Neemias 1.1; 2.1). O rei percebeu sua tristeza e perguntou o que estava acontecendo. Quando Neemias lhe explicou tudo, o rei perguntou como poderia lhe ajudar, e Neemias pediu que o liberasse para ir à Judá edificar os muros de Jerusalém. O rei o liberou e Neemias foi para lá com a função de governador (Neemias 2.2-8). Esta foi a terceira leva, liderada por Neemias, ocorrida em 444 a.C. Neemias e o povo começaram a edificar os muros. Alguns homens contrários à construção os atrapalharam, mas percebendo que, a despeito de seus ataques psicológicos e provocações, a construção estava cada vez mais rápida e eficiente, passaram a atacá-los fisicamente. Os inimigos eram tantos que os edificadores do muro tinham que fazer a obra com uma mão e lutar com a outra (Neemias 4.17). Depois de curtos 52 dias, o muro foi concluído (Neemias 6.15), e tanto a cidade de Jerusalém quanto o Templo estavam agora completos.

 

Depois disso, devido aos frequentes pecados de imoralidade e idolatria da parte dos judeus, Deus permitiu que povos como os gregos e persas invadissem e conquistassem a cidade novamente. O último império foi o Romano, que conquistou toda a Palestina e anexou Jerusalém ao seu território. (Para maiores informações sobre este período entre o Antigo e o Novo Testamento, leia meu artigo “Período Intertestamental”)

 

Jesus nasceu durante o governo romano em Israel. O povo judeu rejeitou a Jesus como Messias, e Cristo ainda os alertou acerca de uma nova invasão que aconteceria, a menos que eles O aceitassem. (Lucas 19.41-44) Se os judeus não tivessem rejeitado Jesus Cristo, provavelmente a história deles teria sido outra. Essa nova invasão aconteceu cerca de quarenta anos após a morte e ressurreição de Jesus, em 70 d.C. O exército romano sitiou Jerusalém por cerca de 140 dias, e, segundo estudiosos, dos mais de 1,2 milhão de judeus que habitavam ali, aproximadamente 600 mil morreram de fome ou doenças, outros 400 mil foram mortos pelos soldados romanos, e apenas 100 mil judeus conseguiram escapar e fugir, refugiando-se ou escondendo-se em países vizinhos. A fuga destes 100 mil judeus é conhecida como "Diáspora", que foi a dispersão dos judeus pelo Império Romano.

 

Apesar dos defeitos e falhas dos judeus, também vistos em diversos outros povos, eles são extremamente dignos de nossa admiração, pois apesar de toda perseguição, humilhação e maus tratos, não se extinguiram! Dispersaram-se pelo mundo por séculos e séculos, mas não perderam suas raízes, sua cultura e costumes, sua tradição, e mantiveram-se ativos (embora meio escondidos) por 1878 anos, ou seja, do ano 70 ao ano 1948! Sem governo, sem bandeira, sem território, ligados unicamente pela religião e cultura, que permaneceram firmes por todos esses anos.

 

Em 1948, após a 2ª Guerra Mundial, a ONU criou o Estado de Israel, na Palestina, para que os judeus voltassem a ter sua própria pátria. Na criação desse Estado, a região seria dividida em duas partes: Uma para os palestinos (nome dado aos árabes que tomaram posse de Israel desde a expulsão dos judeus) e outra para judeus. Nessa época, os palestinos eram "governados" pela Inglaterra. Quando a ONU dividiu o território, a Inglaterra “pulou fora” e os palestinos proclamaram sua independência, em 14 de Maio de 1948. Os palestinos não gostaram da ideia e fizeram uma aliança com diversos países da região, como Egito, Jordânia, Síria, Iraque, Arábia Saudita, Argélia, entre outros. Os líderes destes países disseram algo do tipo:

 

"- Palestinos, saiam do seu território. Quando os judeus vierem para cá nós atacaremos todos eles."

 

Essa seria uma batalha totalmente desproporcional, afinal, estes países mancomunados somavam mais de cem milhões de pessoas, enquanto Israel tinha apenas três milhões. Mesmo assim, os palestinos aceitaram o acordo, esperando um verdadeiro massacre dos judeus, mas tiveram uma desagradável surpresa. Israel ganhou a guerra milagrosamente. (Qualquer semelhança com o Antigo Testamento pode não ser mera coincidência!) Os judeus venceram a guerra, aumentaram seus territórios e fecharam todas as suas fronteiras, impedindo a reentrada dos palestinos em Israel. Essa foi a chamada “Guerra dos 6 Dias”. Com isso, os palestinos se tornaram os "refugiados palestinos", que se espalharam pelos países vizinhos.

 

Desde então, os judeus têm enfrentado diversos conflitos, guerras de expansão, e vencido todos! Numa dessas batalhas, eles conquistaram novamente a cidade de Jerusalém e a proclamaram "Capital Eterna de Israel". Agora, os palestinos a querem, os judeus a têm, o Papa quer internacionalizá-la... Enfim, como profetizou Zacarias, Jerusalém está se tornando uma “pedra pesada.” (Zacarias 12.1, 2).

 

 

 

 

Eduardo Feldberg

www.eduardofeldberg.com.br

"Que se apaixonem por Jesus ao estarem com você!"