EDUARDO FELDBERG

          Um cara cristão...

Minha Satisfação

Por Eduardo Feldberg - 24/03/2011

Pai, preciso entender melhor esse negócio de Reino de Deus. Acho que minha mente está no caminho certo, mas não conseguiu digerir toda a realidade do Seu chamado para a minha vida.

 

O Senhor diz em Sua Palavra que tem prazer em usar coisas pequenas, visando confundir as grandes. Diz também que gosta de atos doidos, inexplicáveis, loucos, executados por intermédio de pessoas aparentemente desprezíveis, para confundir aqueles que nesciamente se exaltam e se reputam como sábios aos seus próprios olhos, e, pelo que percebo em Sua Palavra, e empiricamente, vejo que gostas mesmo de usar pessoas que ninguém “dá nada”, a fim de desbaratar aqueles que se consideram tudo. Usar pequenas pedras para derrubar grandes estátuas.

 

Sabe Amado, durante esta tarde, refleti e constatei que o que dizes é comprovado em Seus fatos e feitos. Ao analisar Seu agir e Suas escolhas, vejo que de fato Seu Reino é bem diferente deste em que vivo, mas que definitivamente não me satisfaço!

 

Reparei que, no início de tudo, numa de Suas gloriosas teofanias, o Senhor, com Seu glorioso Fogo Consumidor podia muito bem ter incendiado uma árvore frondosa, um cedro, ou um altar majestoso, mas fez questão de se manifestar numa despretensiosa sarça seca, em meio ao deserto.

 

Sendo o que és, Alto e Sublime, habitante da Eternidade, nomeado Santo, e residente num alto e santo lugar, ainda sentes prazer em habitar com o contrito e abatido de espírito, nas regiões humildes da terra.

 

O Deus Filho, com toda a Sua glória inefável, decidiu ausentar-se do Paraíso, com seus elementos incorruptíveis, imarcescíveis, inatingíveis, para viver num mundo que jaz no Maligno, sujo, detestável, suportando afrontas, vitupérios, vergonhas, ignomínias, desonras, simplesmente para trocar Sua beleza pela minha feiúra, garantindo-me um lugar ao Seu lado na Eternidade.

 

Tudo bem. Até entendo que Seu amor justifica essas atitudes (embora não consiga mensurar, tampouco compreender a grandeza disso), mas o Senhor podia pelo menos ter se dado ao prazer de nascer numa hospedaria, né?! Ok... Já estou entendendo. Não são nestas coisas que se concentram os verdadeiros valores. O Rei dos Reis optou por nascer numa manjedoura, numa paupérrima estrebaria.

 

O Cristo Vivo, o Filho do Homem, a Luz deste Mundo podia ter crescido e estudado em Roma, como o mais justo e íntegro político, ou em Atenas, sendo o Filósofo dos filósofos, mas resolveu aparecer logo em Nazaré. O “fim do mundo” oriental. Todos Te admiravam, e exaltavam Sua sabedoria, mas o Senhor não se deixava levar, não é mesmo?! Em vez de juntar-se aos doutores da lei, ou aos fariseus famigerados, nas primeiras cadeiras dos faustosos templos, preferia andar com os enfermos e doentes, com os pobres e pecadores, ensinando-os sobre um barquinho, ou no gramado de um monte. Como o Senhor valorizava as coisas simples, não?! Ensina-me a ser como Tu, Amigo Fiel!

 

Com Sua mente, sua capacidade e superioridade intelectual, analítica, crítica, filosófica, moral, ética, poderia muito bem ter sido um excelente político, pensador, e aceitado o convite dos gregos que vieram de tão longe ouvir-Te falar, mas não. Preferiu ser um simples carpinteiro, braçal, mal remunerado.

 

O Senhor não tinha a mente de Cristo. O Senhor era o próprio Cristo! O Senhor não orava para ter os pensamentos de Deus. O Senhor intrinsecamente os tinha! E mesmo assim, se esvaziou de tudo, por amor a mim? Qual é, Pai?!

 

Em Sua entrada triunfal, na Jerusalém em que todos ansiavam coroarem-nO como “Rei dos Judeus” (desconhecendo que, deveras, és o Rei de todos os reis), abriu mão de alazões e carruagens reais para ingressar naquela cidade de forma humilde, assentado sobre uma jumentinha, um animal de carga!

 

Dentre todas as formas de morte possíveis, enfrentou a que era considerada mais maldita, a mais desprezível, detestável e desonrosa, a mais vil e degradante: Ser pendurado num madeiro, expondo Sua dor, angústia e sofrimento até a hora nona!

 

Ainda assim, após sua ressurreição, mesmo reassumindo Sua resplandecente Glória, e se reenchendo daquilo de que havia se despido, manifestou-se como um humilde jardineiro, afinal, embora readquirisse Sua glória, Seu caráter continuou o mesmo, pois em Ti não há sequer sombra de variação, na terra ou no céu. Em mim é que há...

 

E o que é pior: Sendo Deus, optou por viver dentro de mim! O sublime Espírito Santo, transcendente, puro, excelso, sublime, supremo, incomparável, incomensurável resolveu morar num vaso frágil, barrento e ignóbil como eu.

 

Para mim, isso tudo era uma grande loucura, mas hoje eu entendo! Isso é o Poder de Deus! Para o mundo, um Deus assim é louco. Para mim, um Deus assim é tudo o que eu preciso. E dizer que o Senhor me é tudo ainda é muito pouco!

 

Por que pensei que devia ser grande para que Tu me visses? Na verdade, só preciso olhar para Ti, e aguardar Sua luz! E Sua luz em minhas trevas é tudo que necessito. Sua glória é tudo que me satisfaz. Sua vida em minha vida é o que dilata meu coração. Meu coração não tem um lugar, um nicho reservado para Ti. Não... Ele foi feito para carregar exclusivamente a Ti! Assim, as demais coisas não terão que dividir um cantinho contigO, mas terão que se harmonizar e fundamentar em Ti. Não quero nada que não Te tenha!

 

Quero participar desta grande loucura, Pai! Sou Teu filho, e, com deleite, aceito que meu maior chamado é Te servir. Sou herdeiro e co-herdeiro com Cristo, mas agora, meu maior presente é uma cruz. Posso todas as coisas em Ti, que me dá forças, mas minhas ambições não estão mais em sonhos humanos, prazeres efêmeros, deleites transitórios. Hoje, meu prazer está em viver a vida que tens para mim. Hoje, encontro satisfação em realizar os Seus sonhos, e acredite: Estes são os meus sonhos! O Seu prazer é meu prazer! Sua alegria é minha alegria, e o meu chamado ao sofrimento, à renúncia, ao serviço tem a força da dor e do desgosto evanescidas ao fitar meus olhos nos Seus, e me lembrar que és meu aliado! Meu Rei! Meu maior amor.

 

Sem Ti? Nada posso. Contigo? Faremos infinitamente além daquilo que eu jamais tencionei pedir, pensar ou imaginar. Isso me satisfaz. O Senhor me satisfaz.

 

Por em Ti me inspirar, ao Teu lado quero expirar, e passar toda a Eternidade ao Seu lado. Ao lado do meu Senhor. Do meu irmão mais velho. Do meu Amigo Fiel!

 

 

 

 

 

Eduardo Feldberg

www.eduardofeldberg.com.br

"Que se apaixonem por Jesus ao estarem com você!"