EDUARDO FELDBERG

          Um cara cristão...

Doação de Órgãos e o Cristão

Por Eduardo Feldberg - Julho/2015

O mês de Julho chegou, trazendo consigo minhas tão esperadas férias da faculdade, e nada como um bom descanso dos estudos para estudar um pouco, por estranho que isto possa parecer. Resolvi aproveitar o tempo livre para escrever sobre algo que me interessa muito mais que as matérias universitárias: os temas mal esclarecidos dentro do universo da fé cristã. Desta vez, optei pelo tema “Doação de Órgãos”, primeiro por ser um assunto que gostaria de me aprofundar, e segundo, porque é mais uma questão dividida na opinião dos cristãos. Obviamente, este artigo não almeja ser um tratado médico-científico a respeito do assunto, visto que não sou médico nem cientista, portanto, apenas explicarei de forma sucinta este procedimento, e em seguida darei um ponto de vista bíblico sobre sua aprovação ou reprovação.

 

Para alguns, este assunto é simples e descomplicado, mas para outros, traz certas complexidades, de forma que o tema em questão não se apresenta totalmente esclarecido. Enquanto alguns não veem mal na doação de órgãos, outros entendem que a extração de partes do corpo humano - ainda que sem vida - soa como falta de zelo pelo que outrora fora o Templo do Espírito Santo.

 

Há argumentos e contra-argumentos de ambos os lados, mas as informações colhidas em minhas pesquisas não foram suficientemente satisfatórias, gerando em mim o desejo de estudar e me aprofundar nesta questão. Agora, convido você, meu amigo leitor, a caminhar um pouco comigo pelas sete páginas deste rápido artigo. Que Deus te abençoe!

 

 

 

  • O QUE É O TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS?

 

Conforme descrição encontrada no site do Hospital Albert Einstein, “transplante é um tratamento que consiste na substituição de um órgão ou de um tecido doente de uma pessoa (chamada de receptor) por outro sadio, de um doador vivo ou falecido.”1

 

É fato que muitas pessoas sofrem devido a órgãos com mau funcionamento, ou que simplesmente pararam de funcionar devido a doenças, acidentes, e, se estas pessoas receberem um órgão “novo”, extraído de um doador vivo ou recém-falecido, poderão viver bem novamente, ainda que na dependência de consultas médicas periódicas e remédios. Os transplantes podem prolongar a vida destas pessoas, como no caso de doentes que recebem um novo coração, e também melhorar sua qualidade de vida, como no caso de pessoas que recebem um novo pulmão ou um transplante de córnea para que possam enxergar bem novamente.

 

 

 

  • COMO FUNCIONA A DOAÇÃO DE ÓRGÃOS?

 

A doação pode ser realizada em vida ou após a morte, e, segundo o Ministério da Saúde², qualquer pessoa pode ser doadora de órgãos, exceto as portadoras de doenças transmissíveis (como a Aids, por exemplo), infecções graves, câncer generalizado, ou que tenham algum tipo de enfermidade que comprometa o bom funcionamento do órgão a ser doado. O doador em vida deve ser maior de idade, já os doadores póstumos podem ser de qualquer idade, mediante autorização dos familiares mais próximos. O transplante é gratuito, ou seja, o doador não terá que pagar nada, mas, por outro lado, também não receberá nada, visto que esta atitude é considerada um gesto espontâneo de solidariedade, e não um comércio. Vejamos algumas informações:

 

  • 1) Doação em Vida: Neste caso, você autoriza que alguma parte do seu corpo seja extraída a fim de beneficiar outra pessoa. Segundo a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), “o doador vivo deve ser um cidadão juridicamente capaz, que possa doar órgão ou tecido sem comprometimento de sua saúde e aptidões vitais. Deve ter condições adequadas de saúde e ser avaliado por médico para realização de exames que afastem doenças as quais possam comprometer sua saúde, durante ou após a doação.”3 Ou seja, a pessoa viva pode fazer doações, desde que isto não traga prejuízos para sua saúde. Dentre as possibilidades de doação estão medula óssea, parte do fígado, parte do pulmão ou do pâncreas e um dos rins. No caso de doação em vida, o doador pode escolher a pessoa que receberá seus órgãos.

 

  • 2) Doação Após a Morte: Neste caso, o falecido deve ter avisado seus familiares sobre seu desejo de doar, pois quando morrer, serão eles quem autorizarão a extração. Se você pretende ser doador, informe seus familiares enquanto estiver vivo, pois muitos deixam de doar por não avisarem seus familiares, e após o óbito, eles não sabem se o falecido desejava doar ou não. É possível solicitar uma anotação de “Doador de Órgãos” no RG, mas se não houver a anotação, o simples aviso dado pelos familiares já será suficiente para o transplante. Quando a pessoa falece, os familiares são questionados sobre a intenção de doação por um integrante da Comissão Intra-Hospitalar de Transplantes.

 

 

A doação de órgãos por falecidos pode ser efetuada nos casos de , ou seja, quando o cérebro deixa de trabalhar, mas o coração continua batendo, mantendo o corpo em funcionamento por um tempo. Com a ajuda de equipamentos e medicamentos, o organismo é mantido vivo por algumas horas, e são nestes momentos que o transplante pode ser realizado, antes que os órgãos parem de funcionar por completo. No caso de morte cardíaca, os únicos órgãos que podem ser transplantados são os tecidos (córneas, pele, ossos e válvulas cardíacas4), e isto no curto período de até seis horas após o falecimento. Na doação póstuma, como já não há mais vida na pessoa, a quantidade de órgãos doáveis é muito maior. Contando os órgãos, ossos, válvulas e cartilagens possíveis de serem doados, conclui-se que uma pessoa pode salvar ou beneficiar pelo menos 25 pessoas, se doar tudo que puder.

 

No caso de doação pós-morte, não é permitido escolher o receptor. Isto será função dos órgãos oficiais responsáveis por uma lista de pacientes em espera, a nível nacional. Com relação aos órgãos a serem extraídos, um doador não precisa necessariamente ser doador de citados acima. Após o falecimento, os familiares preencherão um formulário autorizando a doação, e informando , e quais deverão permanecer no falecido.

 

Interessante: Algo pouco divulgado é que quando um doador de órgãos falece, diversos serviços e gastos comumente cobrados passam a ser gratuitos. Deixem-me explicar melhor. Hoje em dia, até mesmo  morrer custa caro. Segundo levantamentos5, os custos com despesas funerárias variam de R$250,00 até mais de R$15.000,00. Um “serviço básico” vai custar em média R$2.000,00 para os parentes do falecido. Serviços como aquisição de caixão, transporte do corpo, velório, sepultamento, flores e arranjos custam caro, e se o falecido for doador de órgãos, todos estes serviços serão oferecidos gratuitamente. Esta lei municipal já vigora em diversas cidades brasileiras, inclusive São Paulo. Há alguns meses, meu saudoso tio Samuel faleceu, e eu e meus familiares só descobrimos estas gratuidades após termos dividido mais de R$2.000,00 em despesas funerárias. Não que a motivação deva ser a de economizar, mas este é um benefício deste gesto.

 

 

  • O QUE A BÍBLIA DIZ?

 

É difícil dizer o que a Bíblia diz a respeito de algo que sequer existia naquela época. O transplante de órgãos é algo recente, e as primeiras tentativas bem sucedidas aconteceram no século passado, de forma que não encontraremos na Palavra nada específico a respeito desta prática. Como não há citações, mandamentos ou orientações claras a respeito do transplante de órgãos na Bíblia, teremos que nos atentar a outros princípios da Palavra, em busca de uma aprovação ou reprovação deste procedimento moderno. Vejamos:

 

 

  • Texto 01: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.” - João 15.13

 

Para mim, este versículo é crucial, o ponto chave para tratarmos deste assunto. Parafraseando o texto acima, Jesus está dizendo que “ Jesus está autorizando a manifestação do amor pelo próximo, mesmo à custa da própria vida (como Ele mesmo o fez), e se Ele nos diz isto, depreende-se que a doação de um órgão para salvar uma vida também é aprovável, e muito aprovável, afinal, neste caso, além de se salvar uma vida, não se perde nenhuma, uma vez que o doador vivo continuará vivo, e o doador póstumo não terá morrido por causa desta doação. A Palavra nos ensina a amar até as últimas consequências, e estas consequências podem incluir o risco de vida ou até mesmo o autossacrifício. Cristo nos ensina a olhar para o alto, para a eternidade, para aquilo que os olhos não veem, pois nossa vida não está limitada a este corpo físico, passageiro, de forma que nossa abnegação e desprendimento por amor devem ser tamanhos, a ponto de arriscarmos tudo em favor do nosso próximo.

 

SE JESUS ELOGIA AS PESSOAS QUE SALVAM VIDAS DANDO A PRÓPRIA VIDA,

PRESUME-SE QUE TAMBÉM ELOGIARIA AS PESSOAS QUE SALVAM VIDAS ESTANDO JÁ MORTAS.

 

 

 

  • Texto 02: “Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos.” - 1 João 3.16

 

Desta vez, o apóstolo João repete com suas próprias palavras o que tinha ouvido diretamente do Mestre, e nos lembra que aquele que ama não encontra barreiras, e se dispõe a dar a própria vida pelo próximo, citando o exemplo de Jesus para reforçar a ideia.

 

 

  • Texto 03: “Pensem nisto, pois: Quem sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.” - Tiago 4.17

 

Este versículo é bastante útil em diversos casos e contextos, e nos ensina que sempre que pudermos fazer o bem para alguém, devemos ir em frente, pois fazer o bem motivados pelo amor (1 Coríntios 13.3) é sempre bom, ao passo em que deixar de fazer o bem quando poderíamos fazer é sempre (ou quase sempre) ruim. Sem dúvida, doar uma parte do nosso corpo para beneficiar alguém que está à beira da morte é “fazer o bem”. Se já estivermos mortos, então, nem se fala.

 

 

  • Texto 04: "... É necessário auxiliar os enfermos e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber." Atos 20.35

 

A Palavra nos ensina sempre a respeito da generosidade, do desprendimento, do altruísmo, afirmando que é sempre melhor abençoar, dar, doar, do que querer tudo para si mesmo. Esse doar pode ser algo financeiro (dinheiro, oferta, investimento, etc.), espiritual (oração, jejum, etc.), material (roupas, objetos, etc.) e também um órgão que sequer fará falta.

 

 

 

Na Palavra, o que temos é basicamente isto. Há quem seja contra a doação de sangue, usando versículos do Antigo Testamento fora de seus contextos, mas isto é tão desprezível, que nem vou entrar no assunto. Lembrem-se sempre que os fariseus apresentavam seus argumentos, suas falácias, suas burocracias, suas doutrinas, suas metodologias, e certo dia, Jesus veio e apenas disse algo mais ou menos assim:

 

                - Simplesmente ame! Se você amar, estará cumprindo todos os mandamentos. (Mateus 22.36-40)

 

 

 

  • O QUE AS RELIGIÕES DIZEM A RESPEITO?

 

Segundo a ADOTE (Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos), “todas as religiões têm em comum os princípios da solidariedade e do amor ao próximo, que caracterizam o ato de doar. Todas as religiões deixam a critério dos seus seguidores a decisão de serem doadores de órgãos.” Em seu site6, eles divulgam alguns depoimentos e posicionamentos dos representantes de diversas religiões, como as judaicas, anglicanas, católico-romanas, etc. Com relação aos evangélicos, a posição é a mesma, e até hoje não encontrei nenhum pastor ou líder cristão que seja contra a doação de órgãos. Pelo contrário, todos que consultei, ou que de alguma forma se pronunciaram a respeito do assunto, mostraram-se incentivadores desta prática.

 

 

 

  • POR QUE ALGUNS CRISTÃOS SÃO CONTRA?

 

Alguns cristãos têm preconceito ou receio com a doação de órgãos, e esta barreira é construída por alguns motivos. Vamos analisar alguns:

 

 

1) ISSO NÃO ESTÁ NA BÍBLIA

 

Algumas pessoas são contra esta prática, afirmando que deve ser evitada, por não encontrar fundamento bíblico. Realmente, como já vimos, a doação de órgãos sequer é citada na Palavra de Deus, justamente porque naquela época este procedimento ainda não existia, mas não faz sentido dizermos que tudo que não está na Bíblia deve ser evitado. Se pensássemos assim, teríamos que evitar tudo que foi descoberto ou inventado após o século I da Era Cristã. Por exemplo, alguém poderia dizer que o cristão não pode jogar futebol, pois a Bíblia não dá base para este esporte. Alguém poderia dizer que o cristão pode cheirar cocaína, uma vez que a Bíblia não diz que isto é proibido. Outros poderiam afirmar que ler a Bíblia pelo celular é proibido, afinal, na Bíblia nós a vemos de forma escrita, e não digitalizada. Enfim, muitas ações não têm aprovação nem reprovação na Palavra de Deus, e nestes casos, temos que nos guiar pelos demais princípios claramente descritos na Palavra, como no caso do tema deste artigo.

 

 

2) NÃO GOSTO DE MUTILAÇÕES

 

Alguns veem certa estranheza na ideia de mutilar um corpo após sua morte, arrancar os olhos de um defunto, extrair os pulmões e o coração de alguém que já faleceu. Ficam angustiados com a errônea visão de um necrotério onde retalham corpos humanos, retiram suas vísceras, decepam partes de um ser que há pouco tempo estava andando por aí. Alguém pode dizer:

 

- Puxa, mas já não está morto? Que besteira!

 

Sim, mas é compreensível o fato de que poucos gostariam de ter o próprio corpo retalhado, ainda que após a morte. Quando pensamos em um velório, por exemplo, pensamos em um defunto bem apresentável, bem vestido, envolto com flores, sendo, em seguida, enterrado bonitinho dentro do caixão, descansando em paz, e não em um cadáver recortado, que dá agonia a quem o vê. Porém, esta é uma ideia distorcida que algumas pessoas têm, assim como eu já tive. Digo que é errônea e distorcida, pois a extração dos órgãos é feita com total profissionalismo, em um centro cirúrgico autorizado pelo Ministério da Saúde, com a presença de cirurgiões especializados em cada tipo de transplante. As extrações são tão boas e bem feitas que nada impede que o velório seja feito com caixão aberto, como se nada tivesse acontecido. No lugar dos órgãos retirados, são colocadas próteses, para evitar anormalidades na aparência física. A doação não gera nenhum tipo de deformação física.7

 

 

3) SOU TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO

 

Outras pessoas são contra esta prática, pois entendem que é uma afronta contra o Senhor extrair partes do próprio corpo. A argumentação é a de que é Deus quem concede a vida, é Ele quem faz do nosso corpo templo do Espírito Santo, e só Ele poderia permitir algo assim. A contra-argumentação é a de que o próprio Jesus Cristo afirma que uma das atitudes mais belas e admiráveis feitas pelo homem é a de doar a própria vida para salvar a vida de outros, e Ele mesmo deu o exemplo, doando não apenas Seu sangue, mas todo o Seu corpo e Sua vida por mim e por você. E não estou apenas querendo “escrever bonito” aqui. Nosso Mestre realmente entregou Seu corpo, com tudo que havia nele, seu sangue, suas costas, sua cabeça, seu lado, e tudo isto voluntariamente, espontaneamente (João 10.17-18) para nos salvar. De certa forma, já temos não apenas a autorização, mas também o incentivo e exemplo da parte de Jesus neste procedimento.

 

 

4) QUERO MEU CORPO BONITO PARA O ARREBATAMENTO

 

Certas pessoas entendem que como nosso corpo será ressuscitado no Dia do Senhor, deve ser preservado em “bom estado” para o grande dia. Este pensamento é comum, mas descartável, afinal, o corpo humano enfrenta a decomposição após a morte, e não faz sentido querer mantê-lo o mais “intocável e formoso” possível para o dia do arrebatamento. A Palavra de Deus é clara ao afirmar que teremos um corpo incorruptível, glorificado, imperecível, transformado (1 Coríntios 15.35-54). Imagine uma pessoa que teve uma perna amputada. Obviamente ela não será manca no céu, portanto não faz sentido se preocupar com o estado do nosso corpo terreno mortal, tendo em vista o corpo imortal que teremos na Eternidade. Pense nas pessoas que morrem em explosões, com queimaduras que desintegram todo o corpo, tornando-o em cinzas antes mesmo de ser velado. Não há porque achar que o corpo de um falecido deve ser mantido o mais intacto possível, como se fosse continuar incólume para sempre. Pense no seu bisavô ou tataravô. O corpo dele já virou pó, seus órgãos já passaram pelo apodrecimento, depois pela decomposição, e eu te pergunto: de que adiantaria ele ter mantido seus órgãos dentro de si, em vez de os doado? Nosso corpo veio do pó, ao pó voltará (Eclesiastes 3.20), independente de ter ou não ter todos os órgãos dentro de si.

               

 

5) NÃO QUERO ATRASAR O VELÓRIO

 

Este talvez seja o motivo mais compreensível para os que evitam doar órgãos, porém, apesar disto, a maioria das pessoas que não doam não usa este argumento para sua recusa. Acontece que o processo de transplante pode demorar um pouco, e com isto, o corpo do falecido pode atrasar algumas horas para ser liberado para o velório. Realmente, enfrentar situações fúnebres é sempre difícil, e quando passamos por isto, o que mais queremos é que tudo acabe logo. Como disse, esta justificativa é compreensível, e é complicado julgar uma pessoa por sua postura, afinal, só quem passa por estas situações sabe como é tudo muito complicado, mas de qualquer forma, a doação é algo que pode ajudar e até mesmo salvar vidas da morte, então é uma questão de reflexão:

 

- Eu estou disposto a salvar vidas mediante o atraso de algumas horas no enterro de um familiar? Estou disposto a melhorar a qualidade de vida de alguém, se isto me custar algumas horas de dor a mais?

 

 

O ideal é conversar com a Central de Transplantes do hospital, verificar quais órgãos serão doados e qual será o prazo para isto, mas tudo pode ser feito de forma organizada.

 

 

6) VÃO VENDER MEUS ÓRGÃOS NO MERCADO NEGRO / OS ÓRGÃOS SERÃO DOADOS PARA OS RICOS

 

Algumas pessoas se opõem à doação de órgãos, argumentando que há muita falcatrua neste meio, e que, após extraídos, os órgãos dos doadores podem ser comercializados, em vez de entregues às pessoas que deveriam recebê-los. De fato, este tipo de crime existe. Além do comércio ilegal de órgãos de forma (quando uma pessoa tem seus órgãos vendidos sem sua aprovação), há a comercialização de órgãos , em que uma pessoa viva opta por vender uma parte de seus rins, por exemplo, para conseguir dinheiro. Isto também é considerado ilegal. A máfia e o tráfico internacional de órgãos são desgraças reais e estão sendo combatidas no Brasil, bem como nos diversos outros países em que ocorrem, mas a despeito disto, não devemos deixar de fazer o bem por medo ou raiva dos que fazem o mal.

 

Nosso Deus é soberano, então devemos fazer nossa parte (“fazer o bem, sem olhar a quem”), crendo que alguém será abençoado. Esperamos sempre que a justiça seja feita, e que os que estão na fila de espera há mais tempo sejam os beneficiados. É isto que normalmente acontece, agora, se em um caso ou outro ocorre “extravio” ou ilegalidades, só o que podemos é orar para que este tipo de problema acabe, a fim de que as pessoas mais necessitadas sejam atendidas com prioridade.

 

 

7) VÃO ME MATAR PARA COMERCIALIZAR MEUS ÓRGÃOS!

 

Já ouvi este argumento, por parte de pessoas que temem ser doadoras de órgãos, e acabarem sendo capturadas e mortas por traficantes de órgãos. O raciocínio é banal, afinal, se alguém quiser te matar para comercializar seus órgãos, ele não vai se preocupar se você é doador ou não. Como disse o apóstolo João, “o mundo jaz no maligno”, e o tráfico de órgãos existe sim. Isto é algo extremamente irritante e perturbador, mas a existência dessa desgraça não diminui a necessidade, bondade e solidariedade do ato de doar órgãos. O fato de sermos doadores não aumenta nem diminui os riscos que corremos de sermos sequestrados ou mortos, afinal, para estes criminosos, não faz a menor diferença se suas vítimas são doadoras ou não, e nossa segurança, confiança e dependência deve sempre estar no Senhor.

 

 

 

  • CONCLUSÃO

 

                Após estas análises, minha conclusão não pode ser nenhuma outra, a não ser a de que nós, cristãos - bem como qualquer outra pessoa solidária, com disposição para ajudar o próximo - devemos sim, ser doadores de órgãos, tanto em vida, quanto após a nossa morte, e não há nada na Palavra de Deus que nos impeça de fazer este belo gesto. Pelo contrário, a Palavra de Deus nos diz que devemos sempre fazer o bem, e nos deixa as falas e o exemplo de Jesus Cristo, que afirmou que não há maior demonstração de amor do que a de dar a vida pelo nosso próximo.

 

                Se após minha morte meus olhos puderem trazer visão a algum enfermo, meus pulmões puderem trazer saúde a algum doente e meu coração puder trazer vida a alguém sentenciado à morte, saibam que podem transplantar tudo, e apenas digam:

 

- Além de Eliseu, o Eduardo Feldberg também salvou vidas, mesmo estando morto, para a glória de Deus! (2 Reis 13.21)

 

 

 

 

Eduardo Feldberg

www.eduardofeldberg.com.br

 

 

 

 

Notas:

 

¹ http://www.einstein.br/Hospital/transplantes/TransplanteOrgaos/Paginas/transplante-de-orgaos.aspx

² http://bvsms.saude.gov.br/bvs/legislacao/faq_transplantes.php

³ http://www.abto.org.br/abtov03/Upload/file/entendadoacao.pdf

4 http://www.transplante.rj.gov.br/Site/Conteudo/Duvidas.aspx#familia

5http://noticias.r7.com/economia/noticias/morrer-em-sao-paulo-custa-de-r-250-a-r-15-mil-20111102.html

6 http://www.adote.org.br/oque_perguntas.htm

7 http://www.einstein.br/hospital/transplantes/doacao-de-orgaos/Paginas/mitos-e-verdades.a

 

 

 

"Que se apaixonem por Jesus ao estarem com você!"